O Brasil a favor da “Paz Litúrgica”
Carta 7
Imprimir Enviar a um amigoPartagez sur TwitterPartagez sur Facebook

 
 
«Ao final do encontro, uma Carta ao Santo Padre foi redigida para expressar nosso amor filial ao Romano Pontífice, nosso desejo de colabora com a “Paz Litúrgica”, nossa plena comunhão com a Igreja e nosso pedido de Bênção Apostólica para nosso ministério sacerdotal e também para o Apostolado que desenvolvemos junto aos grupos ligados à Tradição. Assinar a carta foi marcar a história... acredito que o tempo revelará a importância desse singelo encontro no Nordeste do Brasil.»

Eis a óptima notícia que nos dá no seu blog o Padre Reinaldo Barbosa, o jovem coadjutor da paróquia de Santa Rita de Sorocaba, no Brasil: o empenhamento na “Paz Litúrgica” por parte de três bispos brasileiros e de uma vintena de padres. Neste grande país católico onde a Fé, que tempos atrás foi assolada pela Teologia da Libertação, se vê hoje confrontada com os fortes estragos provocados pelas seitas evangelistas, não há dúvida de que este novo evento não é mais do que uma gota de água, mas,com toda a certeza, é uma gota de água benta que não podemos menosprezar.


I – O contexto

Durante os dias 17 a 19 do passado mês de Junho, a diocese de Garanhuns, no Brasil, acolheu o primeiro encontro sacerdotal organizado nesse país a propósito do Motu Prorpio Summorum Pontificum. Copresidido pela Administração Apostólica São João Maria Vianney, o encontro reuniu cerca de trina eclesiásticos, dos quais vinte e um eram padres.

O bispo de Granhuns, Dom Fernando Guimarães, durante a Missa em forma extraordinária do rito romano por ele celebrada e que marcou a abertura dos trabalhos, leu uma carta dirigida aos participantes pelo Cardeal Levada, presidente da Comissão Ecclesia Dei.

Nesta carta, datada de 10 de Abril, o cardeal exprimia o seu «apreço pela iniciativa» e formulava votos «de que a nobre empresa tenha êxito positivo», a fim de promover a aplicação do Motu Proprio segundo as intenções do Santo Padre, e «suscite uma ação pastoral sempre mais adequada às necessidades dos fieis, de maneira que se possa chegar, em tempo oportuno, a um enriquecimento recíproco e legítimo das duas formas do Rito Romano».

Durante estes dias, que correram ao ritmo da celebração da forma extraordinária da Missa, os participantes puderam aprofundar o seu conhecimento canónico, histórico e teológico da antiga liturgia, mas tiveram também ocasião de participar em exercícios práticos orientados por sacerdotes da Administração Apostólica. O próprio Dom Fernando Guimarães pronunciou uma conferência sobre as consequências canónicas do MP Summorum Pontificum, e Dom Fernando Rifan, Administrador Apostólico, apresentou o seu livro “Considerações sobre as formas do Rito Romano da Santa Missa».

Antes de ser encerrado com a assinatura da carta dirigida ao Santo Padre, o encontro foi ainda marcado pelo nascimento do “Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum” (Grupo sacerdotal Summorum Pontificum), destinado a manter uma ligação entre os vários participantes.


II – O documento

Carta dirigida ao Santo Padre pelos participantes do encontro sacerdotal sobre “O Motu proprio Summorum Pontificum, um grande dom espiritual e litúrgico para toda a Igreja”, organizado em Garanhuns, Brasil, nos dias 17 a 19 de Junho de 2010.

A Sua Santidade O Papa Bento XVI

Beatíssimo Padre,

Participantes do “I Encontro Sacerdotal sobre o Motu proprio Summorum Pontificum, um grande dom espiritual e litúrgico para toda a Igreja”, realizado na cidade de Garanhuns, PE, Brasil, nos dias 17, 18 e 19 de junho de 2010, patrocinado pela Diocese de Garanhuns e pela Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, com o apoio e o incentivo da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, expresso em carta de S. Emcia. o Cardeal William Levada, no encerramento deste nosso encontro e ainda sob a influência da graça do Ano Sacerdotal, vimos expressar a nossa profunda gratidão pelo ministério petrino de Vossa Santidade, a nossa sincera solidariedade, união e plena comunhão, bem como o nosso leal desejo de colaborar com o Sucessor de Pedro
e Vigário de Jesus Cristo na aplicação da Carta Apostólica Summorum Pontificum, colocando todo o nosso empenho na construção da “Paz litúrgica”, tão desejada por Vossa Santidade.

Este nosso Encontro, que foi previamente comunicado à CNBB e à Nunciatura Apostólica no Brasil, contou com a participação de Sacerdotes oriundos de diversas partes do nosso País, cada qual com a devida permissão do seu Bispo ou Superior, tendo sido realizado, portanto, dentro do mais autêntico espírito de comunhão eclesial.

É com esse espírito de comunhão e colaboração com a Igreja no Brasil e no mundo que imploramos humildemente a Vossa Santidade a Benção Apostólica para nossas pessoas e nosso ministério.
Garanhuns, 19 de Junho de 2010.

+ Fernando Guimarães, Bispo Diocesano de Garanhuns, PE
+ Fernando Áreas Rifan, Administrador Apostólico – Campos, RJ
+ Adalberto Paulo da Silva OFMCap, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE
(seguem as assinaturas dos cerca de vinte padres e seminaristas que participaram no encontro)


III – Os nossos comentários

a) Dom Fernando Guimarães não é uma pessoa qualquer. Antigo oficial da Congregação para o Clero, ele foi nomeado bispo por Bento XVI em 2008 e não tem quaisquer complexos em inscrever a sua acção na perspectiva da “reforma da reforma” tal como foi traçada pelo Santo Padre. Ele foi o primeiro bispo brasileiro a aceitar envolver-se directamente na divulgação da forma extraordinária da Missa.

b) Pouco conhecida na Europa, a Administração Apostólica São João Maria Vianney, governada por Dom Fernando Rifan (com o grau de bispo), emergiu a partir da diocese de Campos, que entre 1949 e 1981 teve a Dom Antônio Castro Mayer como corajoso bispo — co-consagrante, junto com Mgr. Lefebvre, dos quatro bispos da FSSPX, em 1988. Ligando-se a Roma em 2000 e tendo sido erigida como Administração Apostólica, a União São João Maria Vianney conta com cerca de trinta padres, uma centena de lugares de culto onde se celebra Missa e perto de 30.000 fiéis. Em 2009, foram aí ordenados dois novos padres.

c) Estas jornadas de Granhuns e o nascimento do grupo sacerdotal são por certo um passo pequeno, mas que é també muito simbólico, para este país em que, até à data, os sacerdotes ligados à liturgia tradicional vinham sendo marginalizados. E teria sido fácil que o número dos participantes tivesse sido mais elevado se, a título de penhor de um “autêntico espírito de comunhão eclesial”, os organizadores não tivessem insistido que todos os eclesiásticos que desejassem inscrever-se devessem obter previamente do respectivo bispo uma autorização para irem até Garanhuns — condição esta que para muitos, infelizmente, terá sido difícil de satisfazer, mas que veio permitir que o encontro se desenrolasse com toda a serenidade. Em todo o caso, e à semelhança do Padre Barbosa no seu blog, todos os presentes regressaram encantados, e mais
motivados do que nunca.

d) Que noutro continente também se aproveite do apelo à “Paz Litúrgica”, e ainda por cima que sejam clérigos a fazê-lo, para nós é, sem dúvida, uma grande satisfação, mas é sobretudo um encorajamento para prosseguirmos com o nosso trabalho de informação e de reflexão, de maneira que, pouco a pouco, em todas as paróquias de todas as dioceses dos cinco continentes vejamos o rito romano a ser proposto na riqueza e na complementaridade das duas formas, e sem que isso venha suscitar controvérsias ideológicas.