O povo Summorum Pontificum em marcha para Roma
Carta 33
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Dos dias 1 a 3 de Novembro próximos terá lugar em Roma uma grande peregrinação internacional dos católicos ligados à forma extraordinária do rito romano: sacerdotes, religiosos, leigos, associações e movimentos… A peregrinação será concluída com uma missa pontifical de acordo com a forma extraordinária do rito romano, a ser celebrada na Basílica de São Pedro, sábado, dia 3 de Novembro, pelas 15 horas. É uma ideia realmente excepcional, e é particularmente recomendável, agora que se dá a abertura do Ano da Fé, querer fazê-lo com uma profissão de fé…extraordinária!

A Paix Liturgique faz tenções de se inserir entre os que querem dar a este acontecimento toda a publicidade que ele merece, desde hoje até ao Dia de Todos os Santos, e vem convidar todos os seus leitores a associarem-se a esta peregrinação, seja pessoalmente deslocando-se a Roma, seja promovendo-o nas respectivas comunidades dominicais, paroquiais ou outras, seja unindo-se a ela por meio da oração.

Esta semana, pretendemos dar a conhecer os fins espirituais da peregrinação, tal como foram expostos pelo seu capelão, o Padre Claude Barthe, aquando da apresentação da peregrinação à imprensa, na mês passado, em Roma.


I – UMA PEREGRINAÇÃO "UNA CUM PAPA NOSTRO"

Texto da intervenção do Sr. Padre Barthe durante a conferência de imprensa do dia 10 de Setembro de 2012, na paróquia da Trindade dos Peregrinos, em Roma.

Esta peregrinação Summmorum Pontificum de Todos os Santos de 2012, no início do Ano da Fé e que culminará na missa celebrada na Basílica de São Pedro, tem uma finalidade quádrupla:

1º/ Será uma acção de graças. Os peregrinos irão, em primeiro lugar, oferecer uma missa na forma extraordinária em acção de graças e em apoio filial ao Santo Padre por ocasião do 5º aniversário do Motu Proprio Summorum Pontificum, que, como bem sabem, entrou em vigor a 4 de Setembro de 2007. Para muitíssimos sacerdotes, diocesanos e religiosos, que desde então celebram a sua missa quotidiana na forma extraordinária, isto foi um dom espiritual verdadeiramente imenso, e o mesmo vale para os fiéis das paróquias que, apesar de infelizmente serem ainda demasiado raras, podem assim beneficiar desta liturgia e da sua mística. Pode-se dizer que este acto do Papa Bento XVI, deu azo ao nascimento de um verdadeiro povo Summorum Pontificum. E este povo gostava de agradecer-lhe por isso.

2º/ Será um acto de fidelidade a Pedro. A outra finalidade é a de manifestar deste modo o nosso amor pela Igreja e a nossa fidelidade à Sede de Pedro, muito especialmente nesta actual conjuntura, tão amarga e difícil. Estamos bem conscientes de como são pesados os sofrimentos suportados hoje em dia pelo Santo Padre. A missa romana tradicional, muito especialmente pelo seu Cânone, sempre foi considerada como sendo em si mesma uma grandiosa profissão de fé na Igreja Mater et Magistra: é este credo litúrgico que gostaríamos de expressar diante no Túmulo dos Apóstolos, junto do Sucessor de Pedro.

3º/ Será um acto de oferenda e de súplica. Queremos aproveitar a ocasião para oferecer um presente ao Senhor, muito especialmente para lhe pedir as graças de que necessita o Soberano Pontífice para dar seguimento à obra magnífica que vem cumprindo desde o início do seu pontificado, e, em particular, no momento presente, entre as cruzes e as provações por que tem de passar.

4º/ E será, enfim, uma expressão da participação na missão da Igreja. Gostaríamos de trazer de maneira visível para a nova evangelização que o Santo Padre pretende promover com este Ano da Fé, também a cooperação da sempre jovem liturgia tradicional. Ela é claramente o apoio de muitíssimas famílias, de obras católicas, especialmente, ligadas à juventude, de catequeses e escolas, e é também a fonte de cada vez mais vocações religiosas e sacerdotais, o que nos dias de hoje, no mundo ocidental, é algo de extremamente precioso.

Ora, parece-me ser de insistir neste último ponto. Por obra e graça de Deus Nosso Senhor, em certos países como a França e os Estados Unidos — mas o fenómeno poderá vir a estender-se —, a liturgia tradicional, apesar de infelizmente não chegar a preencher todos os vazios, vem mantendo um crescimento vocacional importante. Em França, por exemplo, diante dos 710 seminaristas diocesanos, podemos contar 140 seminaristas (dos quais 50 da FSSPX) que estão em seminários dedicados à forma extraordinária, ou seja, 16%. E encontramos a mesma relação nas ordenações: este ano, 21 novos sacerdotes extraordinários para 97 diocesanos. Além disso, a configuração espiritual do clero diocesano mais jovem está em plena mudança: os jovens sacerdotes das dioceses e os seminaristas diocesanos mostram-se atraídos pela celebração nas duas formas do rito e dizem-no expressamente (em França, não exageramos se dissermos que pelo menos um terço dos candidatos ao sacerdócio diocesano podem ser qualificados como candidatos Summorum Pontificum).

Era isto que gostaríamos ver exprimido religiosamente por esta peregrinação e por esta missa em São Pedro a 3 de Novembro: o que podemos chamar opovo Summorum Pontificum, o pequeno povo como se diz em francês quando se quer designar as pessoas mais modestas, esse povo está hoje à disposição do Santo Padre para a missão da Igreja.

Contacto : barthe.cisp@mail.com


II – AS REFLEXÕES DA PAIX LITURGIQUE

1) Cinco anos após a promulgação do Motu Proprio Summorum Pontificum por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, alegramo-nos com esta iniciativa que vem mesmo a calhar. Com efeito, um pouco por todo o mundo, a dinâmica susitada em 2007 encontra-se bloqueada por causa dos frequentes “ferrolhos” aplicados a nível episcopal, e, é bom dizê-lo, pela falta de apoio dos que em Roma estavam encarregues de resolver com maleabilidade os casos contenciosos.

É fácil compreender que a Comissão Ecclesia Dei tenha dedicado muito do seu tempo e da sua energia ao caso importante da Fraternidade São Pio X, mas parece que isso acabou por ser feito em detrimento da aplicação do Motu Proprio. Daí que se note um certo desconcerto por parte dos fiéis que foram requerendo missas em forma extraordinária nas suas paróquias e que foram constatando o hiato entre o direito, solenemente proclamado e confirmado pela Instrução Universæ Ecclesiæ, e os factos.

A formação do Cœtus Internationalis Summorum Pontificum (CISP), mesmo sendo ele apenas um comité ad hoc para a promoção deste acontecimento, parece-nos ser um sinal de que os “utilizadores” da forma extraordinária ou de quantos gostariam de poder dela usufruir, não só não renunciam a ela, mas querem, além disso, pronunciar-se. Este Cœtus Internationalis, ao qual, naturalmente, a Paix Liturgique também se associa e que se apoia nomeadamente na Federação Una Voce, Notre-Dame-de-Chrétienté, Juventutem international e em muitas outras associações e movimentos, entre os quais a coordenção italiana dos grupos Summorum Pontificum, faz-nos pensar, além disso, ao cœtus fidelium paroquial do art. 5º do Motu Proprio: o grupo estável de fiéis que aqui se vem exprimir a nível internacional.

Além disso, este acontecimento parece-nos ser um dos sinais que mostram que o mundo dito tradicionalista está a transformar-se, a aumentar e a renovar-se, nomeadamente, por acção do texto de 2007: nos Estados Unidos, há agora 475 missas dominicais celebradas todos os domingos contra as 235 em 2007, e também em França se nota uma igual duplicação. Incontestavelmente, pode dizer-se haver agora uma comunidade que nasceu do encontro entre os defensores históricos da liturgia tradicional com os que chamamos os “silenciosos” que tinham ficado ligados às respectivas paróquias. Neste sentido, falar de “povo Summorum Pontificum”, como o faz o Padre Barthe, parece-nos ser uma boa qualificação deste fenómeno que se vai constatando quotidianamente.

2) Certamente, poderíamos fazer notar aos organizadores que poderiam ter anunciado mais cedo a missa do dia 3 de Novembro. Mas eles também nos lembram que a missa celebrada pelo Cardeal Castrillón Hoyos em Santa Maria Maior, a 24 de Maio de 2003 (mais de 2.000 pessoas), não foi anunciada senão a partir de 14 de Abril — e primeiro de boca em boca. E além do mais, dizem ainda, as coisas em Roma nunca são simples, tendo de se esperar muito por uma decisão. Mas, Deo gratias!, agora já se conhece a hora e o dia desta missa de encerramento: sábado, 3 de Novembro, às 15 horas. Um horário pouco habitual para uma missa, mas que, no fim das contas, poderá até mostrar-se favorável tanto para os fiéis italianos, que assim poderão pensar em ir e voltar de Roma no mesmo dia, como para os peregrinos europeus que trabalhem na sexta-feira, dia 2, e que prefiram apanhar o avião no sábado de manhã.

Além disso, do que se trata é também de uma verdadeira peregrinação, que não se limitará a esta missa do dia 3 de Novembro, mas que terá início na quarta-feira, 31 de Outubro, pelas 19h15, com as primeiras vésperas de Todos os Santos na paróquia da Trindade dos Peregrinos, e que seguirá com missas pontificais para os dias de Todos os Santos e de Finados.

3) Os promotores desta missa de Novembro contam que haja pelo menos 3.000 pessoas a assistir, sacerdotes e seminaristas diocesanos e fiéis. Do número dos participantes dependerá o próprio lugar da celebração (o altar da Cátedra, ao fundo da Basílica, ou, seguindo uma prática frequente, um altar diante da Confissão). Marcar-se-ia assim uma nova etapa: depois de uma missa celebrada pelo Cardeal Burke na capela do Santíssimo Sacramento, no domingo, 18 de Outubro de 2009, e uma outra pelo Cardeal Brandmüller, no domingo, 15 de Maio de 2011, às 8h da manhã, no altar da Cátedra, diante de 1.000 pessoas, poderíamos agora dizer que a missa tridentina fez o seu regresso ao túmulo de São Pedro.

Fica só a faltar, como última etapa, a celebração pelo próprio Papa, ainda que possa decidir vir abençoar a assembleia do dia 3 de Novembro. Não foi, afinal, o Papa que recentemente recordou que o dever de um bispo é o de «defender a unidade de toda a Igreja (CIC, cân. 392, § 1), na porção do Povo de Deus que lhe haja sido confiada», mesmo quando, no seu seio, «legitimamente se exprimem sensibilidades diferentes que merecem ser objecto de uma igual solicitude pastoral» (alocução de 21 de Setembro de 2012 aos bispos franceses em visita ad limina)?...

4) A propósito desta questão de uma missa celebrada pelo Papa, um advogado brasileiro, João Otávio Benevides, lançou pouco antes do Verão uma petição on-line para pedir «ao Santo Padre Bento XVI que celebre uma missa pública segundo o Missal de 1962». A petição — que está acessível aqui: < http://www.change.org/fr/p%C3%A9titions/to-the-holy-father-pope-benedict-xvi-petition-to-celebrate-a-public-mass-according-with-the-1962-missal — recolheu perto de 2.000 assinaturas, que são interessantes pela grande diversidade geográfica dos signatários.

Cinco anos após o Motu Proprio, a forma extraordinária do rito romano vai encontrando pouco a pouco o seu lugar em todo o mundo, ainda que, certamente, de modo demasiado lento. Mas ela contribui já com toda a sua riqueza e está a suscitar, nos países em que, ai de nós!, a cristandade se vai esgotando, uma renovação das vocações sacerdotais e religiosas .

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