NO MÉXICO, 300 SEMINARISTAS DIOCESANOS FAZEM A EXPERIÊNCIA DA FORMA EXTRAORDINÁRIA
Carta 52
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PORQUE NÃO NA EUROPA?

Guadalajara é a sede de uma das principais arquidioceses mexicanas. Com uma sólida tradição católica, tem ainda hoje mais de 2000 sacerdotes e o seu Seminário Maior é o que tem mais seminaristas em todo o mundo. Fundado em 1969, conta hoje com mais de 600 seminaristas, ou seja, cerca de metade dos seminaristas espanhóis e quase tanto como os seminários diocesanos franceses todos juntos…

A 2 de Junho passado, pela primeira vez desde a reforma litúrgica, um sacerdote subiu aí ao altar do Senhor, na capela do Seminário de São José de Guadalajara, para celebrar a Missa segundo o missal de São João XXIII. A celebrar foi o Pe. Jonathan Romanoski, um dos sacerdotes da Fraternidade São Pedro instalados em Guadalajara; a assistir havia cerca de 300 seminaristas. Convém lembrar que a arquidiocese de Guadalajara tinha começado a dar espaço à liturgia tradicional já antes do Motu Proprio Summorum Pontificum, de modo que aí se pode assistir agora a, uma coabitação entre ambas as formas da liturgia romana sem qualquer choque.

O Padre Romanoski, originário da Pensivlvânia e ordenado em 2008 pelo Cardeal Castrillon Hoyos, já tinha tido a ocasião de animar sessões para a descoberta da forma extraordinária no âmbito da actividade do Seminário. Estas sessões tinham contudo um carácter limitado, ao passo que esta missa do dia 2 de Junho reuniu quase a metade dos seminaristas e foi cantada de modo oficial pelo próprio coro do Seminário.

Antes desta celebração, organizada a pedido dos seminaristas, o Pe. Romanoski expôs brevemente as principais características da forma extraordinária do rito romano. Estamos convencidos de que esta data de 2 de Junho de 2014 irá ficar gravada, já que veio permitir a numerosos futuros sacerdotes a descoberta, dentro do Seminário e num enquadramento claramente oficial e muito “normal”, a beleza e as riquezas da liturgia tradicional.

Ao dar conta deste acontecimento, o cronista espanhol Fernández de La Cigoña, director de um conhecido blog do mundo hispânico, fez questão de sublinhar que o que se tinha celebrado em Guadalajara fora a missa dos Cristeros: “Eles não conheceram outra. Foi dela que receberam a graça de serem católicos. Mas não simplesmente católicos como nós. Heróis, mártires e santos.”




(Fotografia Una Voce Mexico)


AS REFLEXÕES DA PAIX LITURGIQUE


1) Deo gratias! Se os frutos desta missa do dia 2 de Junho ainda estão para se fazer notar, já dela própria se pode dizer que foi um magnífico fruto do Motu Proprio de Bento XVI. Quem teria podido imaginar na altura deste gesto de reconciliação desejado por Bento XVI, quando se verificavam tantas oposições episcopais, que, alguns anos depois, as portas de um dos maiores seminários do mundo se viriam a abrir à liturgia tradicional?


2) “Fazer a experiência da tradição”: foi preciso algum tempo para que Roma escutasse o apelo de Mons. Lefebvre, mas desde 2007 é isso mesmo que sectores inteiros da Igreja têm a possibilidade de levar a cabo, se é que não se pode falar de liberdade. Como quer que seja, foi isso que, no dia 2 de Junho, experimentaram os futuros sacerdotes da arquidiocese de Guadalajara. Os seminaristas pediram-no, a drecção da instituição respondeu favoravelmente e um sacerdote idóneo tratou de os satisfazer. Eis aqui a normalidade a que aspiramos, essa mesma normalidade de que fala frequentemente o Card. Cañizares, Prefeito do Culto Divino.


3) Na Europa, praticamente nenhum seminário tentou fazer uma experiência da tradição, apesar de o número de vocações ter caído dramaticamente em 40 anos. E no entanto, há alguns bispos que gostariam de ter sacerdotes “Summorum Pontificum”, capazes de celebrar ambas as formas do rito romano. Frequentemente, esta tepidez episcopal pode explicar-se pela oposição dos corpos docentes dos seminários e de uma parte do clero diocesano que rejeitam o que entendem ser uma “tradicionalização” da diocese. Estamos convencidos de que enquanto perdurar esta oposição ideológica dos seminários a uma abertura à tradição – contrariamente ao que se passa em numerosos seminários americanos, como se vê no caso da missa de Guadalajara –, será muito difícil inverter a curva do números de seminaristas e, consequentemente, a das ordenações sacerdotais.


4) Senhores Bispos da Europa, não será a hora de abrir a porta dos vossos seminários à realidade e de dar lugar a estes novos candidatos ao sacerdócio desejosos de exercer um ministério ordinário e AO MESMO TEMPO extraordinário, de modo a se poder alcançar o enriquecimento recíproco desejado por Bento XVI? Uma tal abertura teria ainda a vantagem de promover a unidade do clero por meio de um melhor conhecimento das especificidades de cada um dos tipos de experiências, votando assim definitivamente ao esquecimento as clivagens pós-conciliares.




O Seminário de Guadalajara é hoje o maior seminário diocesano do mundo.