Exclusivo : A grande atracção exercida pela forma extraordinária sobre os italianos
Carta 1
Imprimir Enviar a um amigoPartagez sur TwitterPartagez sur Facebook

 
 
No país do Soberano Pontífice, 63% dos católicos praticantes assistiriam regularmente (ao menos uma vez por mês) à “missa tradicional”, se tivessem essa possibilidade material. Apresentamos aqui o resultado surpreendente e instrutivo da sondagem efectuada em Itália pelo Instituto Doxa para “Paix Liturgique” e para o site “Messa in Latino”.

Líder em Itália no mercado das pesquisas e membro da rede Gallup, o Instituto Doxa realizou este inquérito de 24 a 27 Setembro, interrogando 1001 pessoas com idades a partir dos 15 anos.


I – OS RESULTADOS DA SONDAGEM

Primeira pergunta : Os católicos italianos conhecem a existência do Motu Proprio “Summorum Pontificum” pelo qual Bento XVI aprova a celebração das duas formas do rito romano?

Sim, respondem 64% dos praticantes – católicos indo ao menos uma vez por mês à missa – contra 36% que não o sabiam.

Considerando todos os católicos, praticantes ou não, 58% estão cientes e 42% desconhecem sua existência.

Em França, segundo a sondagem de opinião feita pelo instituto CSA a 24 e 25 Setembro 2008, a pedido de “Paix Liturgique” (sondagem CSA 08 01 153 B), 82% dos católicos praticantes estavam cientes (a par de 58% de todos os católicos).

Observação:

Em Itália, país do Papa, um terço dos praticantes ainda não teve oportunidade de ouvir falar do Motu Proprio Summorum Pontificum, que define o uso da forma extraordinária do rito romano. Este número é uma triste ilustração do embargo feito por muitos bispos e padres italianos contra a política de pacificação e restauração litúrgica realizada por Bento XVI.

Este resultado demonstra a necessidade — e a legitimidade — do trabalho de informação desencadeado pelas organizações de leigos. De facto, em França, onde “Paix Liturgique” e outras associações atenuam a deficiência de informação intencionalmente organizada pelo Episcopado, os fiéis são mais bem informados (82% em vez dos 64%) sobre as propostas do Santo Padre.

Segunda pergunta: Acha normal a celebração das duas formas do rito nas suas paróquias?

Igualmente, 71% dos praticantes e de todos os católicos são a favor da coexistência das duas formas nas suas igrejas.

Observação:

Mais de dois em cada três católicos partilham da preocupação do Papa de paz e unidade na Igreja, julgando “normal” a coabitação das duas formas do único rito romano nas paróquias. No entanto, é de notar que a celebração da missa em Itália ainda é caracterizada por uma grande reverência, e que os abusos litúrgicos são muito menos numerosos do que em França ou em Portugal. Ao contrário do que é dito frequentemente, o apego dos fiéis à forma tradicional do rito romano não é somente uma reacção à degradação litúrgica. A celebração "digna" da forma ordinária da missa, como é maioritariamente o caso na Itália, não só não torna obsoleto o pedido da forma extraordinária, mas ao contrário parece confortá-lo.

Terceira pergunta: Se uma missa segundo a forma extraordinária fosse celebrada na sua paróquia, assistiria?

63% dos praticantes italianos declaram que assistiriam à missa pelo menos uma vez por mês (33% para todos os católicos). Um número que se partilha da maneira seguinte: 40% todas as semanas e 23% ao menos uma vez por mês.

Lembramos que em França (sempre segundo a sondagem CSA de Setembro 2008) : 34% dos católicos praticantes declaravam desejar assistir ao menos uma vez por mês.

Observação:

O número de católicos italianos ligados à forma extraordinária do rito romano, apesar da sua quase ausência em prática nas paróquias, é significativo: um terço. Mas a proporção em relação aos praticantes é simplesmente excepcional: 63%! Quase duas vezes mais do que em França!

Em Itália, onde a ligação à paróquia permanece vital e onde as cerimónias religiosas gozam sempre de grande adesão, este número traduz bem o desconforto em que se encontra a maioria dos fiéis. Acostumados a seguir com confiança os seus pastores, acompanharam com tanta docilidade as mudanças pós-conciliares, que estas foram realizadas com menos pressão e mais tacto do que em França e nos países germânicos. No entanto, hoje, eles estão conscientes do atraso existente entre a reforma iniciada pelo Santo Padre e a sua realidade diocesana... e desejariam poder experimentar os benefícios da forma extraordinária.


II – COMENTÁRIOS DE “PAIX LITURGIQUE”

1. Esta sondagem é o primeiro estudo científico realizado sobre este tema em Itália. Ele constitui uma prova adicional de que a questão da liturgia tradicional não é um problema circunscrito a um país particular.

Esta sondagem lembra com ênfase que os fiéis ligados à forma extraordinária do rito romano são extremamente numerosos e não se reduzem aos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que, aliás, está muito pouco implantada em Itália, onde tem apenas 3 casas ou priorados. Isso é importante pelo fato de que os bispos tentam regularmente limitar o debate litúrgico com a FSSPX, que na realidade reúne apenas uma minoria - visível e dinâmica – de fiéis que permaneceram ligados à forma extraordinária do rito romano. Aqui temos mais uma ilustração de como é ajustada a visão do Santo Padre, que percebeu que uma grande parte de fiéis da base, permanecendo nas suas paróquias por diversas razões ou tendo escolhido não mais praticar, ficaram ligados à expressão da fé dos seus pais e estão ansiosos por manifestá-la novamente.

Esta realidade, posta em evidência pelas sondagens francesa e italiana, continua a ser ignorada por grande parte dos bispos, que continuam a bloquear o desenvolvimento da forma extraordinária do rito romano.

2. Não temos nenhuma ilusão e sabemos que esta sondagem italiana, apesar de ser realizada por um instituto profissional e reconhecido, deixará indiferente os que se opõem ao Papa e à sua política de pacificação e de unidade. As sondagens similares realizadas na França desde 2001, neste mesmo país, nem sequer foram objecto de um comentário da parte dos bispos ou de uma menção na imprensa religiosa.

É bem sabido que, para todos os inimigos da reconciliação dentro da Igreja, “os fiéis ligados à liturgia tradicional não existem” e “não há qualquer problema litúrgico”. No entanto, os resultados destas sondagens (em Itália e França) correspondem perfeitamente à tendência revelada por um dos indicadores mais sensíveis e mais importantes para a vida, e mesmo para a sobrevivência, da Igreja: a atracção pela forma extraordinária do rito romano por parte dos jovens chamados à vocação sacerdotal. Assim, em França, como o dá a conhecer a edição francesa da nossa carta, no começo 2009, um quarto das novas vocações sacerdotais destina-se à forma extraordinária.

3. Enfim, os resultados desta sondagem, muito próximos daqueles obtidos na sondagem realizada em França (sondagem CSA, cartas PL 145), e do estudo realizado nos Estados Unidos (estudo CARA para a Universidade de Georgetown, carta PL 196), reafirmam que o interesse pela forma extraordinária não é uma questão marginal para os católicos, nem mesmo uma questão “nacional” ou uma questão de carácter “político”, tratando-se, pelo contrário, de um pedido universal. Os teólogos contemporâneos que dão a máxima importância ao sentido da fé dos leigos deveriam pensar nisto.

Mais do que nunca, é importante continuar nosso inquérito ao nível dos grandes países católicos como o Brasil, a Polónia ou a Espanha, e mesmo tentar levá-lo a cabo em certas dioceses particularmente significativas. É este um dos objectivos de “Paix Liturgique” e uma das razões da edição portuguesa da nossa carta de informação.